Um lugar para tecer uma ligação profunda entre os humanos e a sabedoria da paisagem.
Em Junho de 2025, soubemos que 24 hectares de terra selvagem estavam à venda — para promotores que pretendiam transformá-la em agricultura intensiva ou parque solar.
Escutámos o chamamento de que esta terra seria o lar perfeito para criar uma Escola Rural das Artes: uma escola única, de ensino baseado na terra e na sua abordagem holística aos ofícios e ao bem-estar. Uma escola integrada numa Floresta do Povo, oferecendo às populações locais, de todas as origens, a oportunidade de serem nutridas e aprenderem as histórias da sua paisagem ao longo de gerações.
Um lugar para acolher pessoas de todo o mundo, ao serviço da vitalidade entre humanos e a Terra.
A terra selvagem
Este ecossistema vibrante alberga árvores nativas, um rio, ruínas e uma abundância de vida natural. Apaixonámo-nos pela sua diversidade e ritmos ancestrais únicos. Esta terra é um recurso essencial para manter o equilíbrio e a abundância de toda a região.
Após a aquisição, a terra será doada a uma associação para ser mantida perpetuamente ao serviço da visão, do ecossistema local e da comunidade.
Uma história dos nossos corações
Quem Somos
Craig Bamford é arquiteto, designer e artesão. A sua prática multifacetada é unificada por uma convicção profunda: criar obras que sejam uma extensão do mundo natural, atuando como elo de ligação entre as pessoas e a terra. A SASA Works foi fundada por Craig Bamford, numa prática conduzida em conjunto com Işık Sayarer, fundindo artesanato tradicional, expressão artística e arquitetura para criar espaços e objetos espirituais e elementares. As investigações contínuas de Craig sobre formas de cura e espaços harmónicos são informadas por uma escuta atenta do sentido do lugar e da sabedoria dos ancestrais. A Escola Rural das Artes será desenhada como uma expressão desta prática, reunindo 30 anos de criação em madeira, metal e arquitetura holística. Projetos anteriores incluem The Moon House, The Teahouse e The Artists House para a Cold Press and Alchemy and Form na Blue Mountain School, bem como encomendas privadas de espaços em várias partes do mundo.
www.sasaworks.co.uk
Işık, é curadora artística, criadora e designer, cujo trabalho explora o encontro entre terra, ofício, mito e o sagrado. Ao longo de 20 anos, tem criado experiências e narrativas com comunidades e indivíduos — histórias e ensinamentos que convidam a um sentido mais profundo de pertença uns aos outros e ao mundo que habitamos. Esta prática deu origem a uma diversidade de projetos, incluindo iniciativas de longo prazo, com duração superior a uma década, em comunidades urbanas e rurais no Reino Unido, reunindo grupos inesperados através da criação coletiva de filmes, espaços vivos como jardins, e momentos culturais de performance e celebração. Trabalha com o sentido místico e com os sussurros que escuta da terra para guiar seres em cerimónias e processos de visão coletiva, criando espaços de escuta e afinação a um sentido mais profundo do tempo. As suas ofertas são influenciadas por formações em Ciências do Ambiente e Belas-Artes, bem como por aprendizagens em constelações, práticas somáticas, movimento e mediação.
www.altantepepath.com
Em 2011, Işık fundou a Fourthland, uma prática artística que dirige em conjunto com Eva Vikstrom, abrangendo performance, cerimónia, têxtil, som, cinema e escrita, oferecendo uma diversidade de programas pedagógicos e experiências de cura. Em 2017, trouxeram um grupo a Portugal para um retiro, dando início ao percurso que nos trouxe até aqui. A Escola Rural das Artes formará um ninho para estes ensinamentos.
www.fourthland.com
Bruno Ramos, conta com mais de 30 anos de experiência em jornalismo e marketing, desenvolvimento sociocultural e regional. Em 2001, mudou-se para a região do Fundão, no centro de Portugal, para trabalhar com comunidades rurais. Foi editor da agenda cultural do município, integrou a Associação de Desenvolvimento Local Pinus Verde e tornou-se cofundador do projeto Aldeias do Xisto, onde trabalhou até 2024 — primeiro como Diretor de Comunicação e depois como Diretor Executivo. O projeto Aldeias do Xisto promoveu a recuperação de aldeias tradicionais de pedra abandonadas, transformando-as em centros culturais e de ofícios, dando visibilidade ao artesanato, à arquitetura sustentável e ao desenvolvimento territorial. Bruno representou estes projetos a nível nacional e internacional. Está envolvido e colabora com diversas associações culturais, comunidades e movimentos cívicos na Região Centro de Portugal. Trabalhou como jornalista, diretor e editor em várias publicações especializadas dedicadas ao design, música, cinema e vinho.
White Stone Association, é uma associação sem fins lucrativos de amantes da espiritualidade e da natureza que, em 2006, dedicaram a terra conhecida como Mount of Oaks à oração e à regeneração do solo, das pessoas e da vida selvagem, seguindo os princípios da Permacultura. Emma e Barbara são as atuais guardiãs de Mount of Oaks; são professoras e praticantes de design em permacultura, construção natural e práticas regenerativas, remédios herbais, oração, diálogo intercultural e desenvolvimento comunitário. Acolhem diferentes comunidades na terra ao longo do tempo. Anseiam por muitas colaborações com a Ilha e connosco, o que sentem ser uma continuação perfeita e um processo evolutivo deste ecossistema local de rochas, solo, água, plantas, árvores, animais, fungos e humanos, enraizados para permanecer na memória desta paisagem muito depois de partirmos.
www.mountofoaks.org
Parcerias Locais
Elaine Mclaughlin,tem passado os últimos anos a abraçar as canções e músicas tradicionais da região, aprendendo a tocar o adufe juntamente com os cantos associados às colheitas e à celebração. É contadora de histórias e poeta, trazendo a sua aprendizagem de vida, humor e espírito indomável para ajudar este projeto mágico a florescer. Elaine fará parte da equipa que cria momentos com os anciãos da aldeia, bem como caminhos para que as crianças locais escutem o chamamento da Floresta, apoiando ligações existentes e tecendo novos fios. Tem um lema:“EU SOU Terra e a terra somos nós.”Algo que os nossos antepassados conheciam bem e a que importa regressar, à medida que a humanidade se afasta cada vez mais de quem realmente é.
Francisco Amaral (Chico’s), sentiu a sua chegada ao vale como um regresso a casa. Enraizado nesta terra, Chico escuta os seus sussurros e caminha ao serviço da co-criação de uma visão coletiva — onde as sementes da ética, da comunidade e do amor crescem a partir da ação local até à transformação global. Nos últimos 15 anos, esta peregrinação de vida levou-o a um processo de descolonização das suas raízes em Engenharia do Ambiente, através de ensinamentos em Permacultura, Ecologia Profunda, Comunidade e Prática Espiritual.
Katarina Sidova, é uma conectora nata, com um profundo prazer em juntar pessoas. Desde que se mudou para o vale, tem feito da tecelagem entre habitantes antigos e novos uma prática constante, cultivando relações com os anciãos da aldeia e descobrindo uma ampla diversidade de novos projetos ecológicos na região. Katarina fará parte da equipa que une públicos locais e desenvolve percursos e encontros para grupos através da floresta. Sabe que é na natureza que a magia acontece, vezes sem conta. Cresceu com os avós numa pequena aldeia na Eslováquia, rodeada por belas montanhas, o que lhe incutiu um amor profundo pela terra, pelas florestas e pelos animais. Subir a árvores e sujar as mãos na terra é quando se sente verdadeiramente feliz.
A nossa comunidade pedagógica em crescimento
Fourthland, A Fourthland, através das artistas Işık e Eva, oferece ensinamentos e experiências que se ligam ao mito, ao parentesco e à colaboração com os reinos mais-que-humanos. O seu trabalho nasce de uma exploração profunda da colaboração comunitária e da ancestralidade. A Escola Rural das Artes tornar-se-á um ninho para este trabalho.
Nancy Fuller trará a cerâmica de argila selvagem para a Escola como parte do programa de ofícios vivos. Após um mestrado em História da Arte e Arqueologia na School of Oriental and African Studies, Nancy aperfeiçoou a complexa arte ancestral da cozedura a lenha, criando peças singulares que são simultaneamente sagradas e funcionais.
Chico’s tem trabalhado como cofundador de iniciativas e cooperativas no movimento da agricultura regenerativa em Portugal. A sua prática incorpora integridade, sabedoria ecológica e propósito coletivo. Anos de peregrinação pelo mundo, atravessando paisagens, ecossistemas e culturas diversas, enriqueceram a sua compreensão de projetos baseados na terra. Chico dedica especial atenção à reciprocidade holística da vida comunitária, à permacultura e ao design integral.
Cécile é realizadora de cinema. Procura criar um cinema que evoque a dimensão espiritual da busca humana por sentido e propósito. A sua primeira longa-metragem, Mother Vera, venceu o Prémio Grierson para melhor documentário no BFI London Film Festival e o prémio de melhor filme no Festival dei Popoli. Cécile é membro do BAFTA Connect e foi bolseira do Sundance Institute Documentary Film Program em 2020.
Alberto Balazs é diretor de fotografia, trabalhando na intersecção entre ficção e documentário. O seu trabalho reúne histórias de migração, memória, sabedoria ancestral e culturas sincréticas. Os seus filmes foram exibidos e premiados internacionalmente em festivais como Sundance, Bienal de Veneza e Roterdão
Alejandro T Tarraf é realizador, produtor e argumentista, trabalhando entre a ficção e o documentário. O seu trabalho, que retrata a experiência mística do ser humano e da natureza, foi exibido e premiado internacionalmente em festivais como IFF Rotterdam, BAFICI, FICUNAM, AFI Fest, Taipei Golden Horse e no Institute of Contemporary Arts – Londres, entre outros.
Uma história da árvore
Ouvimos os gritos fortes de um sobreiro, de pé como um pastor à beira da terra selvagem. Mais de 20 anos a escutar a terra e o lugar, e a criar arte, arquitetura e projetos territoriais, afinaram-nos para ouvir esse chamamento.
Primeiro, ouvimos que algo na terra onde a árvore se erguia estava a mudar. Após investigarmos junto do Município local, descobrimos que a terra, pertencente à mesma família há mais de cem anos, estava a ser preparada para venda — destinada a ser apresentada a promotores para a criação de uma exploração intensiva de cerejeiras, o que implicaria a remoção da paisagem natural de árvores nativas e rochas, afetando o lençol freático, o sistema fluvial e, na verdade, todo o ecossistema.
Obtivemos o contacto dos proprietários e ligámos-lhes. Explicaram-nos o plano. Com as árvores no coração, dissemos:
“NÓS vamos comprá-la.”
Claro como a água.
A árvore explicou então que aquela terra existia para se tornar uma Escola Rural das Artes e uma Floresta do Povo, um lugar que acolhe os humanos como parte de uma paisagem viva e enriquecedora, para as gerações vindouras. Tudo isto foi escrito e, levando estas mensagens no coração, fomos encontrar-nos com os proprietários. Apresentaram-nos as suas ideias para a venda, e nós sugerimos:
“E se se tornasse uma Escola Rural das Artes?”
Profundamente emocionada, a família respondeu que sempre fora o sonho do pai criar uma escola de artes — sendo ele amigo do poeta Eugénio de Andrade
“Vocês ouviram a energia da terra”, disseram.
A árvore ficou em silêncio, sabendo que o seu trabalho como mensageira estava concluído. Reunimo-nos como coletivo, ao serviço daquilo que escutámos.
“
“A palavra, como tu disseste um dia,
vem húmida dos bosques: é preciso plantá-la;
vem húmida da terra: é preciso salvá-la;
vem com as andorinhas.”
— Eugénio de Andrade